segunda-feira, 23 de agosto de 2010


Menos assediado, mas nem tanto, Suzano teve tempo de posar pra um foto comigo (Charles Alcantara)

Apenas no bis, Vitor tocou Estrela, Estrela e Joquim. No entanto ele ficou devendo “Loucos de Cara”. No camarim, depois do show, onde ele atendeu pacientemente cada fã que o foi cumprimentar, ele justificou: “essa música só é conhecida em Belém.”

Parte do repertório de Tango, seu segundo disco lançado originalmente em 1987, “Loucos de Cara” tocou muito Rádio Cultura FM. E ajudou a tornar o público de Belém um público especial. Comprova a entrevista que fiz com Wellingta Macedo, publicitária e atriz de 30 anos, depois do show:
“Eu lembro até hoje a primeira vez que ouvi o Vitor. Foi dez anos atrás e eu estava sentada na escada da minha casa escutando a Rádio Cultura FM quando tocou Loucos de Cara. Eu nunca havia escutado essa música, mas ouvi com atenção até o fim e depois fiquei esperando a locutora dizer quem era o autor. Assim que ela disse, eu fui para a internet pesquisar e descobri que ele era irmão de Kleiton e Kledir e que tinha um disco maravilhoso chamado A Paixão de V segundo ele mesmo...”

Antes de correr pro camarim, Wellingta, que já tinha dito o suficiente para mim, fez questão de frisar:

“Vitor é um grande artista, que respeita seu público e consegue sobreviver se sua arte sem se vender para a grande industria. Essa industria que consegue destruir com a verdadeira arte. Vitor deveria ser exemplo para outros artistas pelo respeito e carinho que tem pelo seu público e por fazer seu trabalho sem concessões artísticas.”
Eu segui pro camarim atrás da minha exclusiva e como todos os fãs peguei um autógrafo em Délibáb, o único disco que ainda não escutei. Com alguma ajuda, Vitor diz que me reconhece depois de anos e pergunta se eu ainda estava na imprensa. Parece que vou ter uma exclusiva mas já nem sei mais o que perguntar. Mesmo assim espero todos os fãs serem atendidos enquanto converso com amigos da produção do show.

Quando chegava perto das quatro últimas pessoas vi algo que raro em backstages de artistas “famosos”: o produtor do artista se justificando ao produtor local porque ele corria o risco de perder o vôo: “o que você quer que eu faça?! Ele só vai sair daqui depois de atender ao último fã. Eu não posso puxá-lo e sair levando ele para a van.”
Normalmente, os artistas usam a pressão da produção como desculpa para se livrar mais cedo do assédio dos fãs.

Quem levou a pior foi a minha entrevista exclusiva. Antes de ir embora Vitor teve de ouvir a minha queixa: vais ficar me devendo uma entrevista. “Sim, acho que vou, mas anota o meu email que a gente faz depois.”
Set List - Satolep Sambatwon - Belém - 20 de agosto de 2010

1 – Livro Aberto
2 – Invento
3 – Viajei
5 – Livros no Quintal
6 - Zero Por Hhora
7 – 12 segundos de Obscuridad
8 – Que horas não são
9 – Foi no mês que vem
10 – Astronauta Lírico
11 – O copo e a tempestade
12 – A ilusão da casa
13 – Neve de Papel
14 - Café da Manhã
15 – Não é Céu
16 – Grama Verde

BIS
17 – Estrela, Estrela
18 – Joquim
BLOG: www.qualquerbossa.com

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